Água de lagoa captada: matéria orgânica, algas e tratamento

A água de lagoa captada traz matéria orgânica, algas e turbidez, e o tratamento precisa de flotação, filtração e desinfecção bem controlada.

Lagoas são fontes generosas de água, e também difíceis de tratar. Em Linhares, a lagoa Juparanã é a principal fonte de abastecimento da cidade, de Sooretama e de Rio Bananal, e indústrias, fazendas e condomínios que captam água de lagoa conhecem de perto os desafios da água de lagoa captada. Quem procura uma empresa de tratamento de água em Linhares costuma começar pela pergunta de como lidar com algas, cor e matéria orgânica.

Água de lagoa captada: o que a diferencia da água de rio e de poço

A água de uma lagoa é parada ou de movimento lento, aquecida pelo sol, rica em nutrientes que vêm da bacia e muito exposta à luz. Essas condições favorecem o crescimento de algas e de plantas aquáticas, e a decomposição dessa matéria dá cor, gosto e cheiro à água.

O poço entrega algo bem diferente.

A água subterrânea passa pelo solo, que filtra partículas, e costuma ter qualidade mais constante, com problemas de ferro, dureza ou sais. Já a água de lagoa muda ao longo do dia e do ano, conforme a luz, a chuva, os ventos e a temperatura, e exige um tratamento que acompanhe essas variações.

Também influencia a posição da tomada de água. Captar perto da superfície pega algas e material flutuante, e captar muito no fundo pega sedimentos e metais que se soltam do leito.

Matéria orgânica, cor e a formação de subprodutos da desinfecção

A matéria orgânica natural, formada por restos de plantas e de algas, dá cor amarelada ou amarronzada à água e consome desinfetante. Quando a água é clorada sem remover essa matéria, o cloro reage com ela e forma subprodutos, como os trialometanos, que a legislação de potabilidade limita.

Esse é um motivo para retirar a matéria orgânica antes da desinfecção. Coagulação, floculação, decantação ou flotação e filtração reduzem a cor e os precursores, e o cloro entra na etapa final em dose menor, com menos riscos.

Em casos de cor alta ou de odor persistente, o carvão ativado, em pó ou granular, complementa o tratamento. Ele adsorve compostos que causam gosto e cheiro e melhora a qualidade final.

Algas e cianobactérias: um risco que exige atenção

Em lagoas quentes e ricas em nutrientes, algumas algas, as cianobactérias, podem se multiplicar de forma intensa e formar florações. Certas espécies produzem toxinas que afetam o fígado e o sistema nervoso, e por isso a legislação de potabilidade exige monitoramento de cianobactérias nos mananciais sujeitos a florações.

O tratamento deve ser feito com cuidado. Quebrar as células com oxidantes fortes antes da remoção pode liberar toxinas na água, e por isso a retirada física das algas, por coagulação e flotação, costuma ser preferida, com carvão ativado para tratar a toxina dissolvida, quando houver.

Acompanhar a transparência da água, a cor, o pH e a presença de nata verde na superfície ajuda a antecipar florações, e uma análise específica de cianobactérias em períodos de calor traz segurança.

Variação sazonal da lagoa e o que ela muda no tratamento

No verão, a água esquenta, a luz é forte e as algas se multiplicam. Na época de chuvas, a lagoa recebe carga de sedimentos e de matéria orgânica da bacia, e a turbidez sobe. Cada situação pede ajuste de dose de coagulante, de tempo de decantação e de carvão ativado.

Estações bem operadas acompanham a água bruta com frequência: turbidez, cor, pH, alcalinidade e temperatura, medidos todos os dias. Com esses dados, o operador ajusta o processo antes que a água tratada saia fora do padrão.

Captação industrial de lagoa: licença e outorga

Quem capta água de lagoa precisa de outorga do órgão gestor de recursos hídricos, com vazão e finalidade definidas. A licença ambiental da atividade também considera a captação e o destino dos efluentes e do lodo gerado no tratamento.

O lodo de estações que tratam água de lagoa contém algas e matéria orgânica, e deve ter destino adequado, com secagem e disposição licenciada. Planejar esse ponto desde o início evita problemas de espaço e de custo depois.

Sem tratamento, o risco chega ao processo

Usar água de lagoa sem tratamento adequado entope filtros, cria biofilme em tubulações, afeta o sabor de produtos e traz risco sanitário. Em indústrias de alimentos e de bebidas, o prejuízo pode incluir perda de lote e problemas com clientes e fiscalização.

Por isso, a análise da água bruta em diferentes épocas é o primeiro passo de qualquer projeto sério em Linhares e região.

Ensaios de bancada para definir o tratamento da água de lagoa captada

Antes de dimensionar qualquer estação, o caminho mais seguro é fazer ensaios de jarros com amostras da água de lagoa captada. O teste compara coagulantes, doses e valores de pH, e mostra qual combinação remove melhor cor e turbidez. Repetido em épocas diferentes, ele revela como o tratamento precisa variar.

O resultado vale mais que o catálogo.

Dois fornecedores podem indicar produtos diferentes para a mesma água, e só o ensaio mostra qual funciona, com que dose e a que custo por metro cúbico. Esse custo, somado ao da energia e da mão de obra, entra na comparação entre tecnologias.

Também é útil medir carbono orgânico, alcalinidade e a presença de ferro e manganês, que ficam mais solúveis no fundo da lagoa em períodos de pouco oxigênio e podem exigir oxidação antes da filtração.

Reservação e qualidade da água tratada

Depois do tratamento, a água precisa de reservatório limpo, coberto e com circulação, para que a qualidade conquistada não se perca. Cloro residual medido na saída e em pontos distantes da rede confirma que a desinfecção segue ativa até o consumo.

Em propriedades rurais e indústrias de Linhares, vale programar a limpeza dos reservatórios e registrar os resultados, porque o histórico mostra tendências e ajuda a antecipar problemas. Quem opera com água de lagoa captada aprende que prevenção sai mais barato do que correção.

Outro ponto é a proteção da própria tomada de água. Uma área de entorno sem animais, sem fossas e sem aplicação de defensivos agrícolas reduz a carga que chega ao tratamento, e uma tela fina na captação evita que peixes pequenos, folhas e restos de vegetação entrem no sistema e sobrecarreguem os filtros.

Boias, sensores de nível e bombas reserva completam a segurança operacional. Em lagoas que sobem e descem com as estações, ajustar a altura da captação conforme o nível evita sugar sedimentos do fundo ou ar, e mantém a vazão estável durante todo o ano.

Contratar análises completas pelo menos duas vezes por ano, uma na seca e outra na chuva, dá segurança para ajustar o tratamento antes que o problema chegue ao consumidor.

Etapas típicas de uma estação para água de lagoa

O tratamento começa na captação, com grades e telas que retêm folhas e peixes, e pode incluir uma pré-oxidação suave. A coagulação com sais de alumínio ou de ferro agrupa as algas e a matéria orgânica, e a flotação por ar dissolvido é muito eficiente para retirar o material leve, como as algas.

A filtração, em areia, antracito ou membranas, retém o que sobrou. O carvão ativado, quando necessário, ajusta gosto e cheiro, e a desinfecção, por cloro ou por outros métodos, garante a segurança microbiológica.

Para uso industrial, etapas adicionais, como abrandamento, desmineralização ou osmose reversa, adaptam a água ao processo. O projeto parte da análise de várias épocas do ano, e não de uma única coleta.

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